Covid-19: excelência de gestão, uso de tecnologia e dados no combate à pandemia no Brasil

Por EloInsights

  • O enfrentamento à Covid-19 trouxe novos desafios à gestão pública, e o projeto AGP Saúde, apoiado pela EloGroup, demonstra como gestão, tecnologia e dados podem fortalecer essa luta.

  • Centenas de municípios foram atendidos em um processo de transformação digital que inclui o diagnóstico das redes de saúde, o desenvolvimento de ferramentas e de capabilities por meio de mentorias.

  • Os principais resultados envolvem a estimativa de mais de mil vidas poupadas, 33 mil casos de Covid evitados e R$ 120 milhões economizados dos cofres públicos com ações de prevenção.

Os últimos dois anos ficarão marcados pelo surgimento do vírus SARS-Cov-2 e as incalculáveis implicações socioeconômicas geradas pela pandemia. A crise escancarou desigualdades e agravou contextos econômicos e ambientais, aumentando a cobrança sobre as empresas por uma gestão mais responsável dos impactos gerados. Embora tratado há muito tempo, o tema ESG (sigla em inglês para environmental, social and governance) ganha força à medida que o desempenho em questões sociais, ambientais e de governança influencia, direta ou indiretamente, pontos como reputação de marca, redução de riscos e custos, oportunidades de negócio e construção de uma cultura corporativa resiliente e alinhada às transformações demográficas e culturais que vivenciamos.

Ao enfrentar esse desafio hoje, as organizações têm na união de excelência de gestão, uso de tecnologia e análise de dados uma poderosa ferramenta para alavancar resultados que tragam impacto social – como demonstra o Apoio à Gestão Pública em Saúde (AGP Saúde), estruturado pelo Instituto Votorantim com apoio da EloGroup e da Beneficência Portuguesa de São Paulo (BP).

Dados acumulados de abril a dezembro de 2020, aferidos por um parceiro externo, estimam que tenham sido poupadas 1.400 vidas nos municípios atendidos no âmbito do programa, além da prevenção de 33 mil casos de Covid, o que evitou o gasto de R$ 120 milhões pelo poder público em internações em leitos de unidades de tratamento intensivo (UTIs).

Tais números demonstram a importância da escalabilidade na superação de barreiras à gestão pública e deram impulso para que o AGP Saúde mantivesse o curso em 2021. Como principal parceiro técnico, a EloGroup já atuou em 122 municípios, espalhados em 16 estados nas cinco regiões do Brasil – o que representa 54% dos territórios atendidos. Escolhidas por chamadas públicas, predominam as cidades de pequeno ou médio porte, entre 50 mil e 200 mil habitantes.

Tudo isso torna-se possível com uma abordagem estratégica da crise sanitária, que inclui metodologias e ferramentas oferecidas na ponta a gestores e especialistas dos municípios sob a lógica de um novo paradigma. Nesse novo delinear de horizonte, a tecnologia pode funcionar como uma lente potencializadora da transformação digital e do refinamento de capabilities.

“Acreditamos que a combinação de gestão, tecnologia e analytics vai nos levar a um novo patamar de acesso, qualidade e efetividade dos serviços públicos. É a chave para hackear a burocracia e destravar o potencial organizacional que irá transformar e perenizar bons resultados”, afirma Lays Lobato, sócia-diretora da EloGroup, sobre a estruturação das ações.

Para Ana Paula Bonimani, gerente de gestão de programas do Instituto Votorantim, as empresas que cuidam de sua governança, são firmes no tratamento de danos ambientais e atuam para impactar positivamente a comunidade e seus colaboradores tendem a ser cada vez mais reconhecidas. “Elevam a régua do mercado e vão influenciar seus pares”, diz.

Na comparação com regiões de mesmas características e de fora do programa, as localidades atendidas tanto em 2020 quanto em 2021 pelo AGP Saúde registraram 57 óbitos a menos a cada 100 mil infectados pelo coronavírus.

Excelência na gestão, tecnologia e análise de dados no enfrentamento à Covid-19

A condução do projeto é feita em conjunto com as prefeituras e, atualmente, são instituídas seis frentes de trabalho: Rastreamento de Contatos, Vacinação, Comunicação de Risco, Fluxo de Dados Epidemiológicos, Cobertura da Atenção Básica e Previne Brasil. O roadmap inclui a formação de equipes multidisciplinares, o diagnóstico da situação das redes de saúde, a definição de prioridades, metas e objetivos, chegando até a implementação das práticas.

A pandemia levou a uma revisão dos modelos de atuação entre gestão pública, iniciativa privada e terceiro setor. Lays Lobato destaca a crescente demanda por recursos, competências, repertórios e abordagens para estar à altura de um mundo dinâmico, complexo e sistêmico.

“Nos articulamos para desenhar e implementar um programa efetivo e escalável para atender dezenas de prefeituras espalhadas de norte a sul do país. É uma jornada incrível, cheia de propósito e muito aprendizado”, afirma.

A consolidação de impacto aponta também que 99% das metas acordadas inicialmente foram cumpridas com mais de 160 ferramentas de gestão desenvolvidas em mais de 1.300 iniciativas levadas adiante somente na atuação direta da EloGroup no AGP Saúde.

Dados mostram impacto do AGP Saúde

As práticas adotadas nos municípios

Experiência e habilidades de servidores públicos combinadas ao conhecimento técnico da consultoria para gerar impacto à sociedade. É assim que Maria Karolina Matarelli, consultora da EloGroup, resume a essência do programa.

“Identificamos os pontos de maior fragilidade, buscamos metodologias, desenvolvemos ferramentas e construímos soluções de rápida aplicação e altamente personalizadas para o município”, diz a consultora.

Do número de leitos disponíveis à quantidade de recursos como equipamentos de proteção individual (EPIs), painéis de controle dimensionam e dão maior segurança para a tomada de decisão. As medidas se ramificam em várias direções e são centradas em monitoramento do fluxo epidemiológico, vacinação, rastreamento de contatos e assistência integral à saúde.

Ao longo de até seis meses, as frentes de trabalho e os consultores se dedicam a reuniões semanais feitas à distância e aos planos de ação, acompanhados em ciclos quinzenais para melhorar o tempo de resposta dos municípios. Consolidar a autonomia das equipes é outra preocupação.

“Entendemos que é preciso trabalhar na criação de capacidade para que, mesmo após o projeto, a cidade consiga manter o uso das ferramentas e até mesmo propor novas soluções para problemas locais”, afirma Matarelli.

A mentoria EloGroup nos municípios

“A EloGroup é um parceiro técnico de alta qualidade dentro de uma inciativa que foi implementada em um cenário de crise. Em 2021 continuou atuando para apoiar a inovação na gestão pública”, diz Bonimani, do Instituto Votorantim.

A construção das práticas, competências e a definição dos parâmetros começaram em 2020, prezando pelo bom relacionamento, pela agilidade para mitigar dificuldades nascidas junto com a pandemia e pela melhoria constante de processos. Alguns exemplos dimensionam essa dinâmica.

Em Muriaé (MG) foi implementada a plataforma inteligente de telemedicina chamada Bela. Foram realizados mais de 21 mil atendimentos – sendo mais de 18 mil deles, ou seja, 87%– solucionados de maneira totalmente remota. Mais de 40 profissionais, muitos dos quais impedidos de atuar na linha de frente por conta de comorbidades, receberam treinamento para operar a plataforma. As consultas a distância corresponderam a 38% da produção do e-SUS, entre setembro e outubro de 2020, e geraram redução de gasto público a um custo quatro vezes menor que as realizadas presencialmente.

Em Catanduva (SP), um dashboard de balanço epidemiológico embasou as reuniões semanais do comitê gestor. O painel consolidava o número de casos por dia e por quinzena, separava as ocorrências por bairro com detalhamento sobre gênero e idade dos pacientes, mostrando a quantidade de recuperados, de pessoas com infecção ativa e o número de óbitos.

Na segunda edição do programa, desdobrada ao longo de 2021, ganhou protagonismo a gestão da vacinação contra a Covid-19, tendo em vista novos contextos delineados pela chegada dos imunizantes. O foco também foi ampliado para sistematizar indicadores fundamentais para o repasse de verbas às secretarias municipais de saúde.

Miraí (MG) foi um dos 20 municípios em que o acompanhamento da vacinação foi automatizado a partir dos dados do Ministério da Saúde. A iniciativa dinamizou o planejamento das aplicações, inibindo perdas e possibilitando controle mais personalizado, reduzindo os atrasos na segunda dose.

Em localidades como Matão (SP) e Três Marias (MG) um painel de controle de vacinação da população aglutinou diversas variáveis: controle por faixa etária, o total de imunizados entre a população, distribuição de doses por localização e nível de insumos disponíveis nos municípios. Os dados foram sistematizados para gerar gráficos e informações de forma automatizada.

Em cidades como Capanema (PA), Rosana (SP) e Niquelândia, um canal digital reuniu reportes feitos pela população sobre efeitos adversos após a vacinação, agilizando a tomada de decisão por parte das equipes especializadas.

Outra mudança impactou o financiamento da saúde pelo Previne Brasil, novo programa idealizado pelo Ministério da Saúde. Anteriormente, os recursos eram distribuídos conforme o número de habitantes. A partir deste ano, a distribuição é feita com base em indicadores da atenção primária do município. Isso exigiu um esforço de revisão, e a mentoria construiu ferramentas, sempre de forma colaborativa, que facilitaram o controle, sistematização e análise de dados.

Um dos exemplos foi Itapissuma (PE). Com um escopo para além da pandemia, o fluxo para o acompanhamento de todo o ciclo das gestantes foi reformulado e passou a ser mais personalizado, o que aumentou o número de pré-natais realizados e melhorou a qualidade do atendimento. Como resultado, o município teve um desempenho 204% superior, recebendo três vezes mais repasses. As estratégias relativas ao Previne Brasil foram trabalhadas em 23 municípios, com crescimento médio de 42% do índice usado como parâmetro.

As frentes de trabalho do AGP Saúde

Potencializando a gestão pública

Os recursos que renderam escalabilidade ao programa vieram de acionistas e das empresas investidas pela holding Votorantim S.A.; além da contribuição do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES); do Instituto Arapyaú e do Instituto Galo da Manhã.

“A parceria com outras instituições potencializa resultados”, afirma Conrado Leiras, chefe de departamento de Educação e Investimentos Sociais do BNDES. E essa disposição para continuar unindo esforços encontra eco nos planos para 2022.

“A nossa experiência mostrou um grande déficit, e os municípios continuarão precisando qualificar sua performance para garantir repasses adequados”, diz Bonimani. Está em pauta o aperfeiçoamento do monitoramento de indicadores de desempenho para continuar garantindo recursos do programa Previne Brasil.

Também será redobrado o cuidado com a atenção primária à saúde em abordagens que incluem controle de atividades essenciais e a prevenção de doenças crônicas não transmissíveis. A expectativa é de absorver o provável choque causado pela demanda reprimida nos últimos dois anos, já que a pandemia dificultou o acesso ao sistema e ao tratamento de outras doenças.

Com a união de gestão, tecnologia e analytics, caminha-se em direção à consolidação da construção, de forma conjunta e colaborativa, de políticas públicas menos burocráticas, inovadoras e acessíveis aos cidadãos.

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